Paty
Elas estão em todos os lugares. Dos mais bizarros aos mais clichês. Dos mais caros aos de preços módicos. E, talvez para se adequarem aos adjetivos supra-citados, se vestem e agem de maneira irrepreensivelmente semelhante. Cada uma ao seu modo. Mas o fato é que patricinhas e descoladas são os dois extremos do que horas na frente do espelho, pouco desenvolvimento cerebral e péssima sensibilidade estética podem fazer para deixar o ser humano ridículo e feio. Por dentro (beleza interior é ausência de dor de barriga e pronto) e / ou por fora. Feio mesmo. Feio pra cacete. Ou, como diria um dos meus amigos divertidos, “mukissas”. E o pior: propositalmente mukissas. Totalmente sem-noção. Proponho aqui uma enquete: qual das duas classes é a mais ridícula, a mais freak show? Eu não sei dizer. A disputa é árdua. Deixo com vocês, mas posso ajudar com algumas observações constatadas após anos de pesquisa de campo,
patricinhas016.gif
O Cabelo
As patricinhas usam quilos de tinta e escova no cabelo para que a penugem fique simplesmente da mesma cor que as colegas de espécie: tipo um louro liso. Só que se esquecem de pintar também a sobrancelha. E aí fica um contraste que nem sempre (ou quase nunca) tem um resultado agradável.
As descoladas fazem pior. Na tentativa de deixar o cabelo mais “ao natural”, escurecem-no (para não dizer que o pintam de roxo ou vermelho-poeira), fazem um corte quase joãozinho, meio grudado na cabeça. Uma coisa meio aéreo-espacial. E indefenestravelmente usam uma franjinha, não importa se têm oito ou oitenta anos. Sem falar na mania de usar maria-chiquinhas, talvez numa tentativa nem sempre bem-sucedida de despertar nos homens alguma espécie de fetiche. Como diz um amigo meu: “mulher feia e homem sem dinheiro têm mais é que ficar em casa”.
O Corpo
Tudo bem, tenho que admitir que as patricinhas são normalmente mais saradas e muitas vezes são realmente gostosas. Mas a indumentária é tão padronizada que você dificilmente consegue imaginar que aquilo seja totalmente natural (desprovido de silicone, quilos de pomadas e remédios). Em suma: será que de manhã elas são assim? Melhor não pensar muito. Como diria Gabriel, o Pensador: “Eu já fui bem claro, mas para você me entender, eu vou até repetir: lôraburra, você não passa de mulher objeto”.
As descoladas, por outro lado, criticam as patricinhas, mas são o oposto. Além de mal-cuidadas, são sem-noção. Vivem usando roupas coladas sem ter corpo para tanto. E o resultado é que entre a saia curta (sim, elas também acreditam ter as pernas da Luma de Oliveira) e o top com uma frase anacrônica do tipo (“procurando amante”, “eu adoro videogame”, “criança quer colo” ou “viu como você viu?”), aparecem com algo do tipo uma dúzia de quilos em excesso. Não tô dizendo um ou dois quilinhos a mais (que sempre caem bem e dão sustância às magrelas). Me refiro aos pneus do tipo Michelin, que não conseguem nem entrar na pista de tão bizarros que são. Fica uma coisa grotesca, cujo ápice é a existência de um piercing de dimensões continentais para captar os olhares horrorizados de quem ainda não tinha visto aquela criatura rechonchuda perambulando (ou rolando) por aí.
PS: Eu adoro gordinha, mas tudo tem limite. Para ser claro, gordinha para mim é a mulher que tem cinco quilos acima do peso que ela julga ideal. Passou daí, ficou desagradável.
As conversaspatricinhas120.gif
Patricinhas não conseguem elocubrar algo inteligível sobre qualquer coisa que fuja do seu ambiente de trabalho e atuação. Não se preocupam com isso porque acham que não precisam, já que elas são – no imaginário delas – respeitadas (HAHAHAHHA!!!) por serem bonitas (???), gostosas e etc.
Descoladas, devo admitir, até têm assuntos mais maleáveis. Sabem um monte sobre música, artistas e outras coisas do tipo. O problema é que muitas vezes são pedantes e forçadoras de barra para fazê-lo. Chegam a ser chatas. Parecem querer chocar e impressionar. E, de tão mukissas, conseguem com sobras provocar o efeito desejado no interlocutor.
Parece que Romário, digo, Deus, quando fez as mulheres, disse: “filha, escolhe a tua fila pra entrar na Terra: ou você será bonita ou gostará de rock and roll. É uma opção (única e excludente) para a eternidade”.
Os Aderenços
Esses são toscos. Patricinhas tentam ser chiques, mas pecam pelo excesso: usam um cinto metálico de dez centímetros de espessura. Milhões de pulseiras, anéis e outros objetos metálicos espalhados pelo corpo. Pelo menos normalmente têm bom gosto para pintarem as unhas. Ah, quase ia me esquecendo: Patricinhas de óculos de grau? Jamais!!! Elas usam lentes de contato com 15 graus de miopia, mas não se permitem nem sob tortura usar um óculos na balada.
As descoladas apelam. Se não pecam pelo excesso, têm as manhas de se destruírem com pouco. Tentam chocar e passar uma imagem de diferentes, mas horrorizam apenas pelo fato de serem horrorosas. Piercings pra todos os lados, nos lugares onde a peça fica o mais nojenta possível, como debaixo da língua, cortando a boca, na sobrancelha e dentro do nariz (onde deve estar cheio de meleca). Pintar as unhas? As descoladas não sabem nem o que é um esmalte. No máximo, quando querem experimentar, passam tinta-óleo lilás. Trash. Por fim, o apetrecho “óculos” tem significado exatamente oposto para as descoladas. Se tiverem meio grau de miopia, elas tratam logo de mandar fazer um óculos do tipo “tartaruga”. Tão jurando!!!
Os Endereços
Patricinhas lotam a Trend, a Filó, as boates que abrem e fecham no Píer 21, todas as micaretas e o Dancing Gates. Malham na Companhia Atlética, não menos de três horas por dia, não menos do que cinco vezes por semana. Têm cortesias para todas as festas do Paulinho Madrugada. E vão ao salão toda semana. Cheiram lança. Estudam na UDF, no Ceub e, mais recentemente, na Upis.
Descoladas invadem a Orange, shows derrota no Teatro Garagem, Zoona Z, festas freak do Teatro Dulcina, a quarta-vinil e o Landscape (antigo Arena), no Lago Norte. Quase morreram quando o Jungle Brothers, o Zeppelin e o Armageddon fecharam. Nem pensam em fazer esporte e enchem a cara no Beirute e no Bar do Mané. Muitas vomitam e acham isso o máximo. Adoram cigarro, ficam com o dente amarelo e bafo de tigre louco, mas não tão nem aí. Fumam maconha. E estudam invariavelmente na UnB.
As duas classes se encontram no flashback do Café Cancun. Trem-fantasma total: um susto a cada segundo.
Considerações Finais
Antes que a mania de perseguição tipicamente feminina e feminista se manifeste aqui e eu seja devidamente xingado de machista, rotulador, homem-estereótipo, preconceituoso, arrogante e daí para baixo, deixo claro que não há nenhuma mulher do meu convívio que se enquadre 100% em nenhuma das classes – talvez 80 ou 90% tenham um arzinho de um ou de outro lado, mas ta tolerável. E, graças a Deus, o universo feminino é muito maior do que pats e descoladas.

Do Melhor
Linkk
del.icio.us